De um lado, os homens. Do outro, só mulheres. Todos em fila.
No meio, o andor enfeitado com flores e com a imagem do santo, carregado por quatro ou mais pessoas compenetradas.
Com voz forte, cantava “Avante por Cristo!”, “O meu coração é só de Jesus”, “Queremos Deus”, “ Neste dia oh Maria”... ou outros benditos apropriados para a ocasião, regendo com maestria e animando aquela multidão.
(Mesmo que não estivesse na casa do milhar o número de pessoas, aquela fila comprida dava a impressão de ser interminável para quem ainda não tinha crescido...).
Ao passar pelas ruas, as pessoas deixavam o que estavam fazendo e vinham fazer parte da fila, que se tornava imensa!... E era com muita facilidade que se posicionavam uma atrás da outra, pois já estavam acostumadas.
Na festa de São Francisco, a procissão era a mais participada. Tantos fiéis, que os da frente perdiam de vista o final da fila!
As alunas internas e externas do Colégio Santa Eufrásia, enfileiradas com uniforme de gala.
Ao lado da fila, o olhar e o controle da Madre superiora e das Irmãs da Imaculada Conceição, para as moças não flertarem com os rapazes. (mesmo assim os bilhetinhos acabavam sendo entregues ás Internas).
O som do saxofone tocado pela Banda de Música trazia um brilho especial para aquele momento. Emociono-me só de lembrar! Tudo muito organizado!
Como eu gostava de ver a Moça que representava a personagem bíblica "Verônica" cantando em latim e desenrolando o pano estampado com a face de Jesus! Dona Eutália Santos era a artista responsável por aquela pintura muito bem feita.
E a procissão do encontro de Nossa Senhora das Dores com Jesus agonizando? As imagens da Mãe e do Filho se encontravam em frente á capela do Palácio Episcopal.
Todos os anos, um sacerdote missionário redentorista, orador consagrado, era convidado pelo bispo Dom João Muniz que também era da mesma congregação, para fazer o rico e emocionante sermão do Encontro.
Lembro-me da eloquência do Pe. Geraldo Lima C.Ss.R., que veio da província redentorista do Rio de Janeiro. Ele descrevia a Paixão de Cristo com tanto realismo, que tudo parecia estar acontecendo naquele momento.
Na festa do Bom Jesus dos Navegantes, a procissão era fluvial. O rio ficava cheio de barcas enfeitadas cheias de fiéis acompanhando a imagem em destaque numa embarcação maior. Coisa linda de se ver!
No dia de Corpus Christi (Corpo de Cristo) o paramento do Padre era o mais bonito. O sacristão levava o turíbulo e a fumaça ia espalhando o cheiro bom do incenso pela rua. Em algumas casas, um altar era preparado na frente, e todos paravam para rezar.
Se fosse noite, levavam velas.
Quando retornava à igreja, aí era uma festa!
A campainha badalando, dizia que era hora de ajoelhar e adorar Jesus naquele pão sacramentado, um mistério que não se podia nem pensar em questionar.
A bênção era recebida e levada para casa com muita fé.
Naquele tempo, só existia uma Igreja evangélica na Barra.(Se eu estiver enganada, por favor, me corrijam!) Tudo perpassava pela religião católica. A grande maioria participava.
ou quem está impedido pela distância do tempo,
como eu...
Lúcia Antunes





11 comentários:
Maravilhosa a sua descrição!
Me sentí como se estivesse na fila, participando da procissão.
Um abraço!
Lúcia, você me fez voltar ao tempo em que eu era garota e morava na Barra. Foi como se eu enxergasse as procissões que o seu tio Mons. Francisco organizava no dia 04 de outubro, dia de São Francisco. Lembro-me que a fila era tão grande, que quando o início estava chegando na Igreja de Na. Sa. do Rosário, o final da fila estava ainda saindo da praça da Igreja Matriz. Bons tempos aqueles! Deu saudade!
Você se lembra?
Bjo
Claro que me lembro, Maria Augusta!
E nós na fila junto com todos as colegas, vestidas com o uniforme de gala do Colégio Santa Eufrásia....
Antes de sair, a irmã superiora passava a fila em revista, fiscalizando com uma régua, o cumprimento das nossas saias e meias, para que ficasse tudo certinho...
Quando eu era menor, durante vários anos eu fiz parte da procissão vestida de anjo ou de Santa Clara, junto com outras crianças, segurando a conta gigante do terço de papel, (feito pela Dona Eutália dos Mutucas), que ia no meio da procissão. Muita saudade, mesmo!
Gostaria de saber se ainda continuam fazendo procissão na Festa de São Francisco, lá na Barra...
Um beijo
Isso é muito bom!
O "Carro de Boi " está excelente.De vez em quando, dou uma olhadinha nele.Parabéns minha amiga. Bj
Parabéns Lúcia pela grande iniciativa. Você está resgatando a memória institucional da Barra. Obrigada pelo carinho com que se refere a professora Eutalia de Oliveira Santos minha querida Tia.
Agradeço-lhe, Nilêda Queiroz Queiroz. O nosso carro esteve parado para manutenção do eixo (rsrs) mas aos poucos vou colocando-o na estrada outra vez. Continue viajando conosco! Beijos.
Eutalia Santos, não só a sua tia Eutália, mas a Profa. Luzia, o Sr. Anísio, seus Pais, você, Aninha, sempre estiveram vivos na minha memória. Fazem parte do meu começo, da minha infância na Barra e sinto saudades de todos.
Angela Bonelli, bom é ter você "apongada" no carro de boi, como diz Tadeu Andrade de Queiroz! rsrs
Lucia Antunes Antunes,, andei dando uma olhada na sua página,, está de parabéns menina,,, beijo
Grata, Rosangela Medeiros. O blog esteve de "recesso" desde 2012. Agora estou me organizando para reservar um tempinho para ele. Beijo.
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