"COMO É QUE SE DIZ?"
Não dá para contar quantas vezes ouvi esta frase durante a minha infância.
Sempre que alguma criança recebia um elogio, agrado, presente, ou uma homenagem... um adulto da minha família que estivesse por perto, perguntava:
“como é que se diz?”
E mesmo sem saber falar direito, o pequenino já sabia responder com toda a graça: “bidado” ou “bigado” até aprender a falar corretamente: obrigado.
A maioria dos nossos antepassados agradecia com a expressão: “Deus lhe ajude!”.
Um sinal concreto da religiosidade que estava no topo da vida dos moradores daquele antigo e pequeno lugar, situado no oeste da Bahia, chamado Buritizinho. Hoje cidade de Cristópolis.
Demonstrar gratidão era uma coisa sagrada para eles.
A partilha fazia parte da vida de todos. A vasilha que levava alguma coisa para a casa de um, voltava cheia de frutas, de ovos, de qualquer coisa que demonstrasse o agradecimento daquele que recebeu o presente.
Naquele tempo que se educava também com a palmatória, assisti um tio dar meia dúzia de bolos na palma da mão de um primo, porque este se negou a agradecer um presente que havia recebido.
- “Este é para você aprender a agradecer!”- dizia enquanto batia.
- “Este é para você mudar sua natureza ruim! Ninguém pode deixar de agradecer o que recebe! Seja lá o que for.”
O estudo era visto como sinônimo de educação, de boas maneiras.
Lembro-me de outro primo que estudava fora e estava passando férias em Buritizinho. Ao receber um agrado, displicentemente se calou. Um tio nosso que estava sentado do lado, fez logo a cobrança:
- “Estou achando que este estudo seu não está servindo para muita coisa. Você não sabe nem agradecer!!!”
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Os netos de Antonio Aurora, nossos antepassados, foram todos muito bem educados. Saíam de Buritizinho, mudavam de cidade, mas carregavam consigo os bons ensinamentos recebidos na família.
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| LINDU - NETA DE ANTONIO AURORA |
LINDU
A prima LINDU, neta de Antonio Aurora, (Lindolfina Antunes de Santana Lopes), saiu de Buritizinho para morar em Barreiras-Ba, logo depois que se casou com Daniel Lopes.
Eu, adolescente e estudante em Barreiras, gostava muito de ir á sua casa. Lá a minha mãe me deixava ir sem ser preciso implorar pedir muito e sem ter que ouvir muitas recomendações.
Casa espaçosa, perto da pracinha com coreto e do cais, movimentada com os 14 filhos do casal, de todos os tamanhos. Como se fosse uma escadinha, a primeira filha já era uma moça e o caçula ainda era um bebê.
Lindú demonstrava gostar da minha visita, talvez porque eu adorava brincar com os seus filhos pequenos.
Assim que eu chegava, os priminhos Cida, Socorro, Pedrita, Chico e Marcus, já se aproximavam pedindo-me que os ensinassem a desenhar ou os levassem para brincar no coreto da pracinha. Sempre gostei muito de crianças e fazia aquilo com o maior prazer, me divertindo de verdade.
Na hora de ir embora, por mais que eu dissesse que não precisava, lá vinha Lindú me presenteando com queijo, requeijão, frutas, produtos da fazenda paradisíaca da família, situada ás margens do Rio de Ondas. (hoje pertence á filha Maria Idalina e ao seu esposo Carlos Braga).
Além de dizer OBRIGADA, e de ENSINAR AS CRIANÇAS A AGRADECEREM, os presentes eram uma forma que ela encontrava de manifestar a sua gratidão por eu ter passado aqueles momentos entretendo com carinho os seus filhos. O que eu não rejeitava nunca era o doce de leite - divino!- que ela fazia...
Neste blog não caberia todos os bons exemplos que presenciei e recebi dos membros da segunda geração da Família Aurora...
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| MILA - neta (linda)de Lindu - no paradisíaco Rio de Ondas |
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Hoje em dia, infelizmente, muita gente está esquecendo de usar a palavra OBRIGADO e de ensinar os filhos a AGRADECEREM.
E tenho observado que esta atitude grosseira, muitas vezes vem de algumas pessoas que estudaram muito, que acumulam títulos e dinheiro.
Se sentem tão grandes, que não querem se dobrar, parece que tem medo de se diminuírem se agradecerem ao outro.
Se sentem tão onipotentes, que pensam que os outros tem a obrigação de presenteá-los e de prestar-lhes homenagens.
Do alto do seu pedestal, (que só existe no imaginário deles) não aceitam a idéia de elogiarem alguém, de manifestarem gratidão, como se isso fosse lhes tirar o brilho, o poderio.
Não agradecem a um subalterno que lhe presta um serviço, ou alguém que faz uma atividade simples e nem por isso menos importante (como por exemplo, um guardador de carro, uma faxineira).
Acham que já pagaram com o dinheiro e ponto final.
Mal sabem que com a sua atitude MAL-EDUCADA, estão demonstrando a sua FRAGILIDADE, POBREZA DE CARÁTER e INSEGURANÇA, o medo de perderem o seu posto, e o receio de não serem vistas como as maiorais, as melhores...
E o que é pior: estão repassando para seus filhos um comportamento errado e deselegante. É sempre bom lembrar que as crianças tendem a repetir o que vivenciam em casa...
Sem contar que se tornam pessoas antipáticas, porque é difícil a gente aguentar quem pensa que tem o rei na barriga...
E na sua casa,
no seu trabalho,
na sua vida,
nas suas relações interpessoais,
"COMO É QUE SE DIZ?..."
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Agradecendo sempre com carinho a sua visita,
Lúcia Antunes
12 comentários:
Lúcia, muito obrigada pela emoção de ver minha mãe... Linda!
Beijos,
Arlinda
SEMPRE QUE POSSO EU ENTRO NO SEU BLOG PRA VER UM POUQUINHO..RS
bJUS
Gosto muito do blog e adorei o texto, ver minha mãe e Mila, minha sobrinha tão amada. Bjs
ARLINDA, fiquei feliz ao saber que você se emocionou...
ALESSANDRA, obrigada por estar sempre viajando conosco.
SOCORRO, que bom "rever" você, a menina dos "cachinhos de ouro", como eu costumava chamar!
Obrigada pela visita de vocês PRIMAS e pelos comentários que me incentivam a continuar o meu trabalho.
Beijo grande e voltem sempre.
Minha querida Prima essa é história não só do Buritizinho é do Brasil a educação está deteriorando, eu mesma já levei muitas palmadas de palmatória,com cara de gatinho desenhada feita artesanalmente por meu Pai, não pela falta de educação, mas para tirar a canhotice, hoje não sou canhota, mas ainda uso as duas mãos para fazer muitas coisas, rsrs !Podia ter sido diferente, mas não morri por isso e nem fiquei traumatizada, hoje em dia tudo pode trazer trauma as crianças dizem os specialistas!
Talvez umas palmadas poderia evitar a má educação de hoje!
Adoro suas estórias, sempre passo por aqui para me deliciar com elas !
beijos
Raquel
ôi RAQUEL!!!
Saudade docê, Prima!
Eu também fui educada na linha da "psicotaca". Naquele tempo esta era a forma correta. Compreendo muito bem que este era o contexto da época e não lamento por isso. O pior é que surtia efeito...
Hoje mudou muito... O diálogo e o bom exemplo são as armas que temos ao nosso favor.Infelizmente com os pais trabalhando fora de casa, muitas oportunidades de se educar são perdidas. E o resultado não é dos melhores...
Obrigada por estar sempre presente.
Beijo grande.
Escrevendo maravilhas como sempre. Minha mãe (Elisa)falava muito em Lindu.Que bom essas lembranças de nossa familia. Bjooooooos
Obrigada Prima Leda por estar sempre conosco!
Um beijo grande com carinho.
Prima, só vi a postagem agora, me emocionei muito; pois não tive a oportunidade de conhecer minha vó, mas tenho certeza que os valores dela também estão encravados em mim. Muito obrigada por nos proporcionar esses momentos. Grande beijo, com carinho. Mila
MILA, priminha querida, o sua maneira delicada de acolher as pessoas, me lembra muito a sua avó Lindu. Fisicamente, você tem muitos traços dela também.
Obrigada pelo feedback.Seu comentário é muito importante para mim.
Beijo com carinho.
Oi Prima, adorei se lembrar daqueles tempos ,obrigada.Ela era muito boa e bonita,
adorava as visitas.Abraços
FÁTIMA,
eu também adorei a sua visita.Obrigada e volte sempre. Abraços.
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