BEM-VINDO(A)! O CARRO DE BOI É SEU TAMBÉM!

O carro de boi tem sido o símbolo de um trabalho de pesquisa que iniciei há muitos anos e publiquei no livro de minha autoria CRISTÓPOLIS – TERRA DE MUITAS HISTÓRIAS.

Por ter sido o meio de transporte dos meus antepassados, e ter trilhado na história da minha cidade natal, Cristópolis–Ba, ele também faz parte da estrada da minha vida. E vem carregado de emoções, saudades de tanta gente que já se foi, e de muitas lembranças.

Hoje ele enfeita o meu desejo de APROXIMAR E REUNIR as pessoas, de VALORIZAR A FAMÍLIA e as nossas raízes e fazer com que os VALORES que recebemos dos nossos antepassados fiquem vivos nos nossos descendentes.

O Carro de Boi não é só meu. É SEU TAMBÉM.

Hoje você vive confortavelmente na cidade, viaja de carro ou de avião, mas no seu passado, alguém começou a sua história tocando um carro de boi. Portanto, O CARRO DE BOI ESTÁ NA RAIZ DA SUA EXISTÊNCIA.

OBRIGADA PELA SUA VISITA! Volte sempre!

Deixe um recadinho para registrar a sua passagem por aqui.

Um abraço

Lúcia Antunes

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

DOM JOÃO BATISTA MUNIZ C.Ss.R.



Dom  Muniz foi Bispo da Diocese da Barra (BA) de 1942 a 1967.
Nasceu na Fazenda  do “Alto Pirineus”, município de  Chácara, próximo a  Juiz de Fora – MG, em 14 de janeiro de 1900.

Aos quatro anos de idade, sua família mudou-se para Juiz de Fora, onde passou a freqüentar a escola paroquial e a participar das celebrações na Igreja da Glória, ajudando nas missas até os 13 anos.
João Muniz coroinha da Igreja N. Sra. da Glória em Juiz de Fora-MG.

Em 1913 foi para o seminário redentorista de Aparecida – SP, onde fez os estudos superiores de filosofia.

Estudante muito aplicado, bom no futebol, como zagueiro, e com fama de bom nadador, terminou seus primeiros estudos em 1920, quando voltou para Juiz de Fora para fazer  o noviciado.

Em 02 de agosto de 1921, fez os votos religiosos na Congregação Redentorista. 

No dia 23 do mesmo mês, foi para a Holanda onde completou os cursos de filosofia e teologia no seminário redentorista de Wittem.  Ali residiu até ser ordenado sacerdote, em 22 de setembro de 1926.

Foi um dos primeiros padres redentoristas mineiros.

Voltando ao Brasil em 1927, foi nomeado professor no Seminário Menor Redentorista na cidade de Congonhas – MG até o ano de 1935.

Foi exímio administrador do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matozinhos até 1942, quando saiu sua nomeação para Bispo da Diocese da Barra do Rio Grande, estado da Bahia. (Hoje, Barra – BA).

Em 15 de novembro de 1942 recebeu a Sagração Episcopal em Congonhas, sendo o primeiro bispo redentorista brasileiro.

Veio então para Barra – BA onde ficou 24 anos.


Dom Muniz em sua biblioteca e escritório - Barra do Rio Grande, BA, década de 1940

Como bispo mostrou um grande zelo pastoral e missionário. Conheceu todas as paróquias e inúmeras capelas do sertão baiano, num território de 22 mil quilômetros quadrados e 587 mil habitantes, usando para isso todos os meios possíveis: barco a vapor, canoa, barca, lombo do cavalo e jipe.

A maior parte da população de sua diocese era doente e subdesenvolvida.





Compreendeu logo que sua primeira tarefa era cuidar da saúde do povo do Vale do São Francisco, infestado pela malária, tracoma e sobretudo pela esquistossomose.

Homem eminentemente prático, com a ajuda do governo, criou “Batalhões de Voluntários” na imensa diocese para o combate dos focos de infecção daquelas doenças, fez campanhas de saúde pelas quais estimulou as autoridades e animou a opinião pública, para combater às tais endemias.

Conseguiu ajuda de institutos religiosos em pessoal, inclusive de uma congregação de “Irmãs Médicas”, norte-americanas.

O sucesso foi tamanho que o governo Federal o encarregou de organizar a “Primeira Campanha Nacional contra a Malária”, que deu origem à “Campanha contra Endemias”, depois à Campanha de Erradicação da Malária (CEM), que posteriormente passou a se chamar SUCAM.

Dom Muniz ficou conhecido como “Bispo Sanitarista”. Em uma das suas campanhas em prol da saúde pelo interior da Diocese, chegou a contrair a malária.


Equipe de saúde que ajudou no combate às endemias na Barra

Foi um Bispo missionário, a serviço total dos seus diocesanos, com tantos problemas, numa vastíssima região, sem recursos naquele tempo.

Promoveu e participou de várias Santas Missões e Semanas ruralistas. Criou vários cursos de artesanatos.

Fundou a Congregação das “Filhas de Fátima”, com a finalidade de catequizar e ajudar nas paróquias.

Criou a Legião de Maria na diocese.

Fundou o Colégio Cristo Rei que prestou relevantes serviços à região com seu curso de contabilidade.

Promoveu o “Encontro dos Municípios”, reunindo prefeitos, secretários de Estado e Governador para debater os problemas da região.

Criou as “Semanas Ruralistas” para o desenvolvimento econômico e social da região, incentivando a agricultura.

Com o seu esforço, foram criadas em 1962, as Dioceses de Juazeiro e Bom Jesus da Lapa , desmembradas do imenso território da Diocese de Barra.

Durante o seu tempo, foi dado início ao processo de criação da Diocese de Barreiras. Como estava com a saúde fragilizada na época, delegou a função de articulador junto à Santa Sé e precursor junto ao povo, ao Vigário Geral da Diocese, Mons. Francisco Waldemar Antunes.

Por onde exerceu o seu sacerdócio, a Evangelização e a promoção humana caminharam juntas.

Em 1966, quando a saúde não lhe permitiu mais trabalhar, pediu sua renúncia ao Papa Paulo VI. 

Em fevereiro de 1967, às vésperas de completar bodas de prata como bispo de Barra, voltou para Minas Gerais, residindo na Comunidade Redentorista da Igreja São José, onde testemunhou sua simplicidade atendendo no confessionário e nos trabalhos domésticos. 




Dez anos depois, em 10/12/1977, faleceu com 77 anos de idade. 

Atendendo ao seu desejo e o do povo da sua ex-diocese, seu corpo foi transladado de avião de Belo Horizonte para Barra. Foi sepultado no dia 11/12/1977 na Catedral São Francisco das Chagas da Barra - BA.

Um abraço a todos
Lucia Antunes.
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Fonte: 
Escritos do Mons. Francisco Antunes
Anotações do Pe. Boaventura Leite CSs. R
Artigo de Fr. Flavio Leonardo CSs. R
DELFINO, Pedro Braz, Perfis Redentoristas nº 7
Arquivo da Diocese da Barra


11 comentários:

Claudia Veiga disse...

Biografia muito bem feita. Dom Muniz faz parte da história não só da Barra como de sertão da Bahia.

Maria Das Merces Sales Pereira disse...

Maravilha! !!! Parabens Parabéns! !!!!!!!!

Lena Pedrosa Vianna disse...

Que maravilha ver tanta coisa boa que D.João Muniz fez em sua Diocese, a Barra teve sorte de ter um Bispo como ele.Eu corria quando estava de roupa sem mangas, ele falava que bolero em cima de vestido era tapiação, kkkk com todo os seu rigor eu o admirava muito e gostava muito dele.

LÚCIA ANTUNES disse...

Tenho muitas histórias desse tipo, Lena Pedrosa Vianna. Moramos no Palácio por seis meses, enquanto esperávamos o Pe. Edilson desocupar a casa Paroquial. Eu tinha um vestido branco com mangas de renda sem forro. Dom Muniz me deu um pedaço de batina preta e disse: "leve para a sua Mãe colocar manga no seu vestido! É de criança que se deve aprender a se vestir com decência!" A minha Mãe quase morre de tanta vergonha. Naquele dia ela nem queria vir almoçar na mesa com receio de ter que falar sobre o assunto. Nunca mais ela deixou-me vestir o vestido! E eu tinha apenas 5 anos...

Lena Pedrosa Vianna disse...

Assim mesmo, a gente corria pra dar a benção quando estava com roupa descente.kkkk

Tereza Maria disse...

Muita gente ajoelhava para pedir-lhe a benção

LÚCIA ANTUNES disse...

Ajoelhava e beijava a pedra do anel.

Péricles Luiz Cunha disse...

Lembro-me bem disso ! Ajoelhavam, no meio da rua, beijavam-lhe o anel, e recebiam a benção de um bispo sempre sorridente e bonachão !

LÚCIA ANTUNES disse...

Concordo com você, Claudia Veiga. O seu trabalho de combate às endemias extrapolou a sua diocese para beneficiar todo o Brasil.

LÚCIA ANTUNES disse...

Obrigada, Maria Das Merces Sales Pereira. Um abraço.

LÚCIA ANTUNES disse...

Verdade, Péricles Luiz Cunha. Dom Muniz tinha fama de durão, mas era um homem educado, cortês e sorridente.

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